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O melhor está para vir!!!

(Memórias e Recordações, Apontamentos, Registos e Enganos...Cogitações e Tentações - A Felicidade mora aqui!)

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01
Nov15

Dia de Finados

Benedita

Por muito mórbido que pareça quando era criança adorava este dia.

A minha família paterna sempre foi a minha preferida, muito alegre e divertida. Estar com eles era um prato cheio de boa disposição, gargalhadas e dias felizes.

No dia de finados íamos todos em "romaria" fazer o "tour" dos cemitérios. Começávamos pelos Prazeres, Alto de São João, depois Benfica e por fim Carnaxide, onde se dava o apogeu da manhã, porque nos restantes cemitérios limpavam-se e arranjavam-se campas, neste havia uma "casinha", que eu achava o máximo.

Eu era muito pequena, a única criança da família, dado o meu primo, dois anos mais velho do que eu, e a mãe nunca nos acompanharem neste dia.

Eu não entendia o verdadeiro sentido das coisas, não sabia o que era a morte, diziam-me que a bisavó, o tio, a prima, etc, etc, estavam ali e eu achava que eram aquelas fotografias espalhadas pela "casinha".

Isto era, inocentemente, tão mórbido, que eu chegava a deitar-me nas "prateleiras" da "casinha", quando retiravam as urnas para limpar. Para mim não passava de uma brincadeira de bonecas. Claro que de imediato algum adulto vociferava: Benedita sai já daí!

Terminada a arrumação, qualquer família normal, iria respeitar a memória dos ausentes pacatamente nas suas casas, mas a minha família sempre foi muito à frente e cumprida a obrigação, a farra esperava-os!!!

De novo em romaria íamos almoçar a um restaurante de nome Tatu, julgo que era no Campo Grande, onde se comia uma fabulosa feijoada à brasileira, que à época era a coqueluche de Lisboa.

Empanturrados de feijoada e doces, se o tempo permitisse, íamos dar um giro, caso contrário rumávamos para casa dos meus pais e a festa continuava.

Tudo em memória dos nossos mortos, Deus os tenha lá em descanso.

Galhofa, brincadeira, anedotas e disfarces faziam sempre parte deste dia.

Lá mais para o fim da tarde, a descambar para a noite saboreávamos petiscos deliciosos... Uma euforia sem fim, que durava noite a dentro.

Recordo que á saída era sempre a mesma recomendação: "Não façam barulho nas escadas!!!

Era um dia mágico... Sentia-me envolvida por toda aquela alquimia. Zonza de felicidade, não queria que o dia acabasse!

Dessa trupe que ia em romaria, restam muito poucos e a tradição já não é o que era... Vou apenas a um cemitério colocar uma flor ao meu pai e de preferência nunca no dia de Finados.

"Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete".

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